Friday, March 28, 2008

Não estou no paraíso

1) Estou gostando muito da minha experiência aqui.
2) É impossível generalizar um país tão grande como a Índia.

Dito isso, posso continuar com o post...

Quem me conhece bem sabe que eu tenho uma visão muito positiva das coisas. Aqui na Índia tenho percebido muito isso: tenho a tendência a ver perceber as coisas sempre pelo seu melhor aspecto. Isso tem me ajudado bastante a me adaptar e a aceitar algumas diferenças culturais grotescas.

Depois de alguns posts, recebi vários emails e comentários de pessoas dizendo que adoram minhas histórias (brigado gente) e que estão passando a gostar muito da Índia. Este post não tem a intenção, de maneira alguma, de jogar um banho de água fria nos mais empolgados com a Índia, mas preciso dizer que “o buraco é mais embaixo”.

Então aí vão algumas dificuldades que, grandes ou pequenas, acabam mexendo com a gente no cotidiano:

Sujeira

A impressão que tenho é que o padrão de sujeira deles é bem diferente. Terra, poeira não é sujeira da mesma forma que é pra gente. Como a infra-estrutura das cidades é bem ruim, poeira é constante. Manter a casa limpinha, sem um grão de poeira, com as janelas abertas, é quase impossível. É engraçado que a gente leva um choque primeiro, com a sujeira, manchas de cuspes e lixo em todo canto. Agora quando vou num hotel 5 estrelas, estranho o quão limpos eles são.

Falando de lixo e poluição, é difícil achar alguém com consciência ambiental. Assim como a China, a Índia cresce rápido e sem pensar no impacto que está causando. Além disso, não há um sistema de tratamento de esgoto, coleta de lixo ou mesmo lixeiras suficientes nas ruas. Então é lixo pra todo lado, os canais e rios urbanos (e até o mar, no caso de Mumbai) são fétidos. Os poucos caminhões que colhem o lixo, estão caindo aos pedaços e vão espalhando lixo e aquele “suco” por onde passam. Fede muuito.

Serviço

A qualidade dos serviços em restaurantes, bares e lojas é de deixar qualquer um irritado. Em alguns lugares, você tem que implorar para ser atendido e rezar para seu pedido chegar certo. Ontem fui restaurante cubano com a Polly, lugar até chique. Ela queria comer arroz e escolheu um prato que acompanhava arroz. Veio purê de batata. Ela chamou o garçom e ele disse que não tinha mais arroz e ELES decidiram substituir pelo pure. Claro que ele só disse isso depois, por que falaria antes?

Além disso, a apresentação dos pratos, não é algo que parece importar muito. Ás vezes você vê a comida sendo servida de um balde e a aparência não é nada convidativa.

O pior é a flexibilidade. Se você quer mudar ou algo diferente, tem que negociar bastante. Hoje mesmo queria costurar uma mochila de algodão que estou usando sempre pra viajar. Fui em 3 lojas de costura diferentes. Os caras consertam calças, camisas, blazers, mas a mochila eles não quiseram nem olhar (era só dar alguns pontinhos na máquina).

Riquixas

Uma dificuldade tremenda é lidar com os Riquixás todos os dias. Às vezes eles simplesmente se negam a te levar em um determinado lugar. Outras, cobram um preço absurdo (O DOBRO, TRIPLO). Ou então decidem fazer um tour pela cidade, pegando caminhos desnecessários para que paguemos a mais. Ah, claro que eles só vão abastecer quando tem um cliente, seria desperdício ir até um posto de gasolina por conta própria, tem que ter alguém pagando por isso.

Agora imagina: você acorda as 7 da manha, toma um café, banho rápidos e sai ainda sonolento prum dia de trabalho. Aí você aborda o primeiro riquixá e diz aonde quer ir: ele fecha a cara, diz não e vai embora (ou te manda embora). Você continua andando, acha outro e ele te pede o dobro do preço. Você se irrita, diz q não e continua andando, até achar um que te leve e ligue o taxímetro. Você está com pressa (afinal perdeu tempo andando e negociando com os outros), mas ele pára pra abastecer e sempre tem uma fila gigante no posto de gasolina, lá se vão mais 10 minutos do seu dia. Eu já andei mais de 5km, puto porque não consegui um riquixa.

Alvo de exploração

Ser estrangeiro aqui é complicado algumas vezes. Você acaba com um constante receio de que será enganado, trapaceado, explorado. Esse sentimento constante pode estressar muito e minar o bem-estar.

Os preços para estrangeiros são sempre abusivos, é consenso geral: se você é estrangeiro, o preço é maior. Tudo bem que se você pensar, a rupia é super desvalorizada e as coisas são (às vezes) ridiculamente baratas. Mas é questão de princípio e eu não suporto ser passado pra trás, enganado. Isso me tira do sério. Sou capaz de brigar com um riquixá por causa de 5 rúpias que ele me deve de troco. NÃO PAGO EXTRA!

Outra coisa que irrita: ser abordado na rua o tempo todo! É ambulante, mendigo, falso “benzedor”, tudo! “Com licença senhor!” – “Por favor senhor!” – “Aqui senhor!” e te pegam, seguram pelo braço, ficam cutucando. Cansa, viu!?

Festas

Até uns 2 meses atrás, havia uma lei proibindo dançar em Bangalore. Claro que ninguém respeitava, mas tem cabimento??? UMA LEI!!! A lei que todos respeitam é um “toque de recolher” (igualmente ridículo) às 23:00. As festas acabam às 23:00 em ponto. A música para, as luzes se acendem e você é mandado embora, logo quando a festa começa a ficar “no ponto”.

Pra um Belo Horizontino, acostumado a sair de casa às 23:30, ficar na festa até umas 4 e ainda tomar uma saidera no Bolão ou no Chopp da Fábrica, é um choque incrível.

O pior é que as boates são todas iguais: 30 homens pra cada mulher (olha que nem to considerando a aparência da mulher como variável), dançando feito loucos, todos aglomerados. As músicas de sempre: R&B e Bollywood.

Transito

Não faz sentido. O trânsito é louco, alguns fatos:
- Transporte público quase não tem
- Não se usa retrovisor – mão na buzina o tempo todo
- As ruas não têm faixas definidas
- Regras só no papel (se é que têm)
- Alguns semáforos ficam fechados por 5 ou 10 MINUTOS!
- Motos são baratíssimas (a Índia é a maior produtora de motos do mundo)
- Os riquixás e ônibus soltam uma fumaceira inacreditável
- Motos sobem no passeio pra desviar do transito (sempre)
- Choveu vira lama
Pra ajudar a mão é inglesa (sentido contrário) e a Tata Motors acaba de lançar o carro mais barato do mundo aqui na Índia, vai ficar beleza!

Respeito à mulher

As mulheres sofrem bastante com os assédios (principalmente as estrangeiras). As meninas me dizem que não saem de casa sem um MP3 Player no ouvido, porque não querem escutar o que eles dizem ou os sons que fazem quando elas passam.

Eu fico irritado, pois quando ando com minhas amigas, estão sempre comendo elas com os olhos. Faço questão de mostrar pro cara que eu to vendo, olho no fundo dos olhos dele – de uma maneira não amigável.

Soube de algo que me abalou e me deixou profundamente revoltado, vou contar a história: um casal de amigos meus aqui (brasileiros) estão tendo um filho. Com muito custo, conseguiram descobrir o sexo da criança (é menino!!). Custo, porque é proibido saber o sexo. É proibido porque quando os pais descobrem que é menina, abortam. Além disso, quando a menina nasce, não é tão bem cuidada (pra ser ameno) quanto os meninos.

Disseram a este casal que se fosse menina, não precisavam cuidar. “Meninas não precisam de cuidados, se criam sozinhas. São capazes de gerar outra vida, então conseguem se virar sozinhas. Os meninos é que tem que ser bem tratados.” PQP, né?

Bom, este post já está ficando grandinho (pra variar), então vou ficando por aqui. Mas não posso terminar antes de escrever que estar na Índia e viver este país é uma montanha-russa de emoções e sentimentos. É aprender a respeitar. É ver o mundo de outra forma – de verdade. É se conhecer melhor. É valorizar muito mais o que você deixou pra trás.

É um país incrível – seja o qual for sentido que queira dar a esta frase. E pra viver aqui, é preciso estar aberto a aceitar coisas que não fazem sentido pra você, rir das desgraças, relevar. Continuo agradecendo por estar aqui.





Cena comum - ponto de lixo

Falso mago querendo dinheiro


Boate





Trânsito

Assédio na rua

(English Version)

I’m not in a paradise

1) I’m enjoying my experience here.
2) It’s impossible to generalize a country as big as India.

Having that said I can continue with this post…

Who knows me well is aware that I have a very positive approach over things. Here in India I can perceive that: I tend to perceive things always by its best aspect. This has been quite helpful for my adaptation and to accept some bizarre cultural differences.

After some posts written I received many emails and comments of people saying that they love my stories (thanks guys) and that they are becoming to really like India. This post doesn’t have the objective – not at all – to extinguish the mood of those most excited about India; but I have to say that the rabbit hole is deeper.

So, here it goes some difficulties that – big or small – somehow get in our nerves on daily basis:

Waste

The impression I have is that their neatness standard is different. Dust is not dirt as it is for the Western world. As the cities infrastructure is very bad; dust is constant. To keep the house completely clean, without a grain of dust and with the windows opened is barely impossible. It’s funny that at first sight we experience a shock because of the dirty, spiting spots and garbage everywhere. Now is when I go to a 5 star Hotel that I get surprised about how clean the environment is.

Talking about garbage and pollution; it’s quite hard to find someone environmentally conscious. Similar to China, India is also growing very fast and without giving enough thoughts (and/or action) on the impact they’re causing. Besides, there is no sewage system or treatment, garbage collection system or even trash cans enough on the streets. Then we have garbage everywhere; the canals and urban rivers (and even the see, in Mumbai) are stinky. The few trucks that collect the garbage on the streets are falling apart and spread the garbage and that “juice” wherever they go. Stinks so badly!

Services

The quality of services at restaurants, pubs and stores is able to get anyone pissed off. In some places you have to almost beg to be served and pray to have what you really ordered. Yesterday I went to a Cuban restaurant with Polly – fancy place. She wanted to eat something with rice and ordered a dish that accompanied rice; but she got mashed potatoes. She called the waiter and he said that they didn’t had rice and THEY decided to change for mashed potatoes. Of course that he said that only after she received the dish – why to ask her opinion before?

Besides that, the way the dishes are presented is not important here. Sometimes you see the food being served from a bucket and the appearance is not invocative at all.

The worse is the lack of flexibility. If you want to change something or something different you have to struggle and negotiate to get it. Today itself, I wanted to fix a cotton backpack that I’m using often to travel – it just needs some stitches. I went to 3 different places. They fix pants, coats, shirts, blazers, but my backpack they can’t.

Rikishaws

One big challenge is to deal with auto-rikishaws everydays. Sometimes they just say deny to take you somewhere. Other times the charge absurd prices (twice or three times the right price). They usually also give you a city-tour; taking unnecessary ways to make we pay more. Oh, and of course they just go to the gas station if they have a passenger – it would be a waste to go to the gas station by their own, they need someone paying for that de-tour.

Now picture this: you wake up at 7 AM, take a quick breakfast and a shower and go to the street still sleepy. Then you approach the first rikishaw and says where you want to go: he gives you an angry face, says NO and goes away (or send you away). You keep walking and find another one: the guy asks you the double of the price. You get angry, says NO and keep walking until a good soul takes you where you want and uses the meter. At this time you are already late (you lost time negotiating with rikishaws along the way) but the guy stop in a gas station to get fuel and there’s always a big cue. One time I walked for 5 km, pissed off because I didn’t got a rikishaw.

Exploration target

To be a foreigner here is complicated sometimes. You get a constant concern of being cheated or explored. This constant feeling can stress a lot and drain the well being.

The prices to foreigners are always abusive. It’s common sense: if you are a foreigner the price is higher. You can think that the rupee is a weak currency and thing are (sometimes) incredibly cheap. For me is not the price but the principle: I don’t like to be cheated; this makes me lose my mind. I’m able to fight with a rikishaw because of 5 rupees that he is supposed to give me as change. I DON’T PAY EXTRA!

Another annoying thing is to be approached all the time. Is the street salesman, the fake guru, begging people, etc. “Excuse me sir!” – “Please sir” – “Here sir” – and they hold you on the arm, keep poking… I get tired, you know?

Parties

A couple of months back there was a law prohibiting people to dance in Bangalore. Of course no one obey this law; but can you imagine?? A LAW!!! One law that everyone obey is a “curfew” at 23:00. The parties are over at 23:00 sharp. The music stops, the lights are turned on and you are asked to leave – right when the party is starting to get hot.

For a guy from Belo Horizonte, used to go to parties at 23:30, stay at the party until 4am and drink the last beer at Bolao or Chopp da Fabrica – it’s quite a shock.

The worse thing is that all the clubs are the same: 30 man for each woman (I’m not even considering the women looks as variable in this equation), dancing like crazy, all trying to fit in a small dance floor. The music is always the same also: R&B, Electronic and Bollywood.

Traffic

It makes no sense. The traffic is crazy; some facts:
Public transportation almost doesn’t exist
Mirrors are not used – they prefer to “sound horn” all the time
The roads tracks are not defined
Rules, only in the book – if there’s any rule
Some traffic lights stay closed for 5 or 10 MINUTES!!!
Bikes are extremely cheap – India is the biggest bike producer of the world
The rikishaws and buses blow an unbelievable smoke of pollution
Bikes are often on the sidewalk to avoid traffic
If it rains the roads are turn into mud
To support the mess: they follow British direction

Respect to Women

Women suffer to much if harassments – even worse for the foreigners. They girls told me that they don’t take a walk without an MP3 Player to avoid listening to the phrases and/or noises mans direct to them when they pass by.

I get irritated because when I’m walking with friends (girls) the Indian guys are always undressing them with the eyes. I make sure to show to them that I’m seeing it – I keep looking at their eyes with an angry face.

I heard something that got into my nerves; I’ll tell you the story. A Brazilian couple friends of mine are having a baby. After a lot of efforts they managed to find out the gender of the baby (it’s a boy!!). Lots of efforts because it is forbidden to know the gender before the baby is born. It is forbidden because if the parents find out that is a girl; they force abortion. Besides, when the girl is borne she doesn’t receive the same care (to be easy with the words) that the boys.

This couple was told that if it is a girl they don’t need to take care of the baby. “Girls don’t need caring, they can raise themselves. They are able to generate another life, so they manage to survive. Boys are the ones who deserve well care.” What a F.!!!

Well, the post is getting too big (again), so I’ll stop here. But I can’t finish it before writing that being in India and living in this country is an emotion roller-coaster. It is learning to respect. It is seeing the world in a different way – really. It is getting to know yourself better. It is to value much more whatever you left behind.

It is an incredible country – whatever is the meaning of this statement. And to live here is needed to be open to accept things that make no sense to you; laugh of the disasters, let it be. I’m still giving thanks to be here.

Wednesday, March 19, 2008

25 Anos & Hampi


Fui até a MG Road para encontrar a gangue: Rafa, Polly e os portugas José e Jaime – nós iríamos a Hampi naquela noite. Eles estavam num restaurante no alto de um prédio, tipo o “Terraço Itália” de Bangalore.

Como de praxe, saímos atrasados do restaurante para pegar nosso trem. Fomos desesperados atrás de um riquixá. O primeiro pediu 200 rupias para nos levar – nunca! Aí um pouco a frente achei um stand de riquixá pré-pago, conseguimos o preço certo: 50 rupias.

Tínhamos apenas 30 minutos para pegar o trem, então o engarrafamento foi bem emocionante. Felizmente chegamos à estação a tempo de procurar nossa plataforma. Depois de andar um pouquinho por uma passagem subterrânea, encontramos nosso trem: Hampi Express.

Na porta de cada vagão tinha uma lista com o nome dos passageiros e seus assentos. “Pollyana: 54”. “Anandara: 56” – Anandara sou eu. Esse bateu recorde de errar meu nome.

Nossa classe era “Sleeper” – Dormitório. Eu já tinha tido a experiência com o ônibus pra Pushkar, então logo que entrei subi para meu colchão e coloquei a mochila de travesseiro. Enquanto a Polly reclamava desesperada com as condições do trem. O trem começou a viagem e pra minha surpresa era relativamente silencioso e macio – relativamente. Esse era o início da celebração dos meus 25 anos em Hampi.

De repente, acordei com 25 anos. Olhei em volta, eram 4:35 da madrugada. Eu estava com medo de perdemos a estação de Hospet, a mais próxima de Hampi e não consegui dormir mais. Por fim, descobri que estávamos a 2 estações de nosso destino. Então eu e Poly fomos encontrar o resto do pessoal no outro vagão.

O Sol estava nascendo e mostrando uma terra vermelha: lembrei na hora do caminho a Ouro Preto, Itabirito e a vermelhidão do minério de ferro. O trem chegou a Hospet e fomos com 2 riquixás para Hampi. No caminho, começamos a ver o que nos esperava: dezenas de templos e ruínas se fundindo com a paisagem.

Quando chegamos lá, parecia que tínhamos voltado no tempo: os carros, as roupas, a aparência, tudo de 40 anos atrás... O primeiro objetivo era encontrar uma pousada. Depois de muitos gritos das garotas por causa das condições precária dos banheiros de algumas pousadas, encontramos uma bem jeitosa, com vista para o rio e para o principal templo.

A cidade é dividida pelo rio Tungabhadra. De um lado é sacro: não tem bebida alcoólica, nenhum tipo de carne... Do outro, é festa! Bebida, carne, frango e tudo mais. Sai Plaza era o nome da nossa pousada. Um lugarzinho relax, perfeito para as centenas de bixo-grilo que vão pra Hampi.

O pessoal cantou parabéns pra mim, versão brasileira e portuguesa. Comemos um longo e reforçado café da manhã com ovos, batatas e pão. Depois, iniciamos nossa jornada nas dezenas de templos.

No primeiro, pegamos um guia que tentou nos explicar toda a história do templo Virupaksha. Tentou, porque tinha barulho e conseguíamos entender só 20% do inglês do cara. Mas eu gostei bastante. Eu tinha lido sobre a história da Índia antes de vir pra cá e Hampi foi antigamente a capital do grande império Indiano (Vijayanagara), até o Império Mongol tomar conta de quase tudo, destruir e saquear a Índia.

Com este guia, comecei a entender melhor a multiplicidade de deuses da religião hindu. Este templo era em homenagem à terceira “encarnação” (eles chamam avatares) de Vishnu, como um javali. Se não me engano, ele tem 10 avateres – 9 já vieram ao mundo e tem ainda uma outra por vir.

No templo tinha também uma elefanta graciosa, tratada como deusa. Todos as terças ela se banha no rio e dá benção aos hindus. Fizemos carinho nela, mas não pudemos tirar nenhuma foto deste templo.

No complexo deste templo tinham construções do século VII e algumas outras mais recentes, do século XVI. A arquitetura é muito inteligente, fazendo uso até de câmaras escuras que refletem a sombra do horizonte – o mesmo conceito das máquinas fotográficas. Achamos no meio de milhares de esculturas entalhadas nas paredes, uma orgia.

Claro que perguntamos pro guia, que nos explicou que era uma escultura Kama Sutra em sinal de afeto ao templo. Perguntamos também se aquilo era praticado ali, ele riu e disse que antigamente sim, agora não.

Passeamos um pouquinho por Hampi Bazar – tipo o centro da cidade. Aí sempre tem a galera querendo grana de turista. Inclusive um encantador de serpente que tentou nos arrancar um trocado – mas as pobre coitadas das cobras estavam tão drogadas que nem se mexiam e se não fossem as flautadas do moço de turbante, acho que dormiam.

Negociamos com um carinha e combinamos um preço para que 2 riquixás nos levassem a uma rota de templos durante todo o dia. Seguimos adiante em nossa jornada, fazia um calor escaldante. Fomos a algumas ruínas, tiramos várias fotos.

Depois seguimos para onde era o mercado da cidade. As ruínas eram muito legais e levavam a uma piscina central. Tirei várias fotos e fiquei imaginando como seria aquele lugar a mil anos atrás, cheio de gente. Depois passamos rapidinho num lugar onde duas pedras gigantes estão escoradas uma na outra.

A paisagem de Hampi é muito estranha. São milhões de pedras gigantes postas uma sobre a outra. A impressão que dá é que alguém colocou aquelas pedras ali, uma a uma. Dá pra ver que a região é antiga pra caramba e que a erosão já comeu quase tudo.

A próxima parada foi num complexo que incluía o Lótus Mahal, o estábulo dos elefantes e outras ruínas. Muito bonito e bem cuidado o lugar. Indianos pagam 5 rupias pra entrar, extrangeiros pagam 250. Discriminação a parte, entramos no templo (menos a Polly) e aproveitamos para deitar na grama e fazer estripulias.

O mesmo ingresso deste lugar, dava direito a entrar no nosso último destino do dia, o Templo Vittala e o Carro de Pedra. O engraçado é que em cada templo gigante que a gente entrava, a gente pensava como seria legal organizar uma festa ali.

Neste último era dedicado a festas mesmo, acabei descobrindo ao berosar (aproveitar) a explicação que um guia fazia a outro grupo. Inclusive, no centro do templo tem um salão com instrumentos musicais entalhados nas colunas. E se você bate na coluna, ela emite o som daquele instrumento musical.

Encerramos a jornada turística mortos de fome, de cansaço e depois de muito Sol. Fomos almoçar num restaurante chamado “Mango Tree” (Mangueira). Fica na beira do rio (lado sagrado) e as mesas ficam embaixo de uma mangueira gigante. A comida vegetariana era beem boa, eu gostei muito.

Eu e a Rafa voltamos para o Hotel e ficamos bebendo merecidas cervejinhas, enquanto o resto do pessoal quis ficar no rio pra ver o pôr-do-sol. A noite um monte de gente foi ao restaurante da pousada e ficamos lá vendo uns filmezinhos, comendo e eu tomando cerveja. Assim foi meu aniversário.

No Domingo, acordamos tarde, tomamos novamente o big café da manhã e combinamos de não fazer outra maratona de templos. Saímos andando para conhecer o resto da cidadezinha e um outro gringo nos disse de um lago, que havia ali perto e onde dava pra nadar.

Pensamos: nesse calor, achar água limpa, na Índia!? É ver pra crer! Negociamos até que um riquixá aceitou nos levar até o lago, esperar algumas horinhas e depois nos levar até o Templo dos Macacos, parada obrigatória em Hampi.

O lago era uma represa do rio Tungabhadra, no alto de uma montanha. Mas que delícia! Uma vista bem legal, e a água era mesmo limpa e muito boa de nadar. Fomos até um ponto que era melhor para nadar, estava cheio de estrangeiros.

Eu não poderia nadar, porque tinha machucado o joelho e não podia molhar. Não resisti, pulei de ponta, fiz cambalhota, pirueta, foi bom demais. A ferida no joelho abriu toda, mas valeu à pena.

Depois seguimos ao templo dos macacos. Ao chegar, avistamos o templo lááá no alto e uma escadaria gigante a nos convidar. Começamos a subida, desde o princípio acompanhados de vários macaquinhos e macacões. Além de termos que parar por causa do cansaço, a vista era maravilhosa e valia a pena ficar observando. Lembrei até da Lapinha da Serra, um dos meus locais favoritos no Brasil.

Numa dessas paradas, um macaco começou a seguir a Rafa querendo a garrafa d’agua. Isso se transformou numa briga. Imagina a cena: um macaquinho em pé, na beira de um precipício, a uns 600 metros de altura, no templo dos macacos, enquanto nossa amiga tentava dar uma garrafada nele. Gritamos desesperados: “Não Rafa, não mata o Macaco!”

Imagina o Karma dessa menina se ela mata um ser sagrado em seu templo! Depois que o macaquinho fugiu, rimos até da cena. Mas na hora deu medo!

Finalmente chegamos no topo. Que lindo! Uma vista de 360 graus de toda a região de Hampi. Os templos que vimos no dia anterior, pequenininhos lá embaixo. Eu aproveitei pra me afastar do pessoal, me sentei na beira da montanha e comecei a refletir nos meus 25 anos, na loucura que era estar ali, e agradeci.

Descemos o morro, dessa vez em paz com os macacos. Pegamos o riquixá de volta a pousada. Pegamos nossas coisas e fomos tentar almoçar numa outra pousada ao lado. Tentar, porque o almoço demorou tanto que não agüentamos esperar; iríamos perder o ultimo barquinho para atravessar o rio e o nosso trem. Pagamos as bebidas que tínhamos consumido e saímos correndo.

Comemos qualquer coisa do outro lado do rio e de novo saímos apressados para não perder o trem de volta. Chegamos com tempo, pegamos o trem, dormimos a viagem toda e voltamos à vidinha cotidiana em Bangalore.

Desculpa pelo post gigante, mas foi uma viagem especial.



O Trem
Companheiros de viagem

Acordar com 25

Primeira vista do Rio

Cafe da manha

Entrada do Virupaksha

Virupaksha

Hampi - Coleção Primavera-Verão

"Encantador" de serpentes

Monolito

Estátua Ganesh

Obelix

Dia quente

Hampi

Antigo mercado

Gangue

O pessoal tá lá no meio.

Garotada

Yoga ou capoeira?

Carruagem de Pedra

Eu nunca... trepei numa árvore sagrada de mil anos!

Mango Tree

Na pousada

Meus fãs

Na represa (o chapeu é a Rafa).

Até parece...

Novo amigo

Paisagem

Companheiro de subida

Macaquinho e a garrafa

Vista: verde de um lado, seco do outro.

...

Vista do templo

Nunca viu não?

Tuesday, February 26, 2008

Bangalore aí vou eu!

Eu sabia desde o início que iria viver mesmo em Bangalore, mas acabei me adaptando bem em Gurgaon, fiz uma pancada de amigos, gostava da galera do trabalho... E de repente tive que sair correndo.

Estavam pra acontecer dois grandes eventos em Bangalore e eles precisavam de alguém pra cuidar da comunicação interna e com a mídia. Então acabei tendo que dizer tchau às pressas dos amigos, refazer as malas e partir para Bangalore.

Meu vôo sairia às 10:30, às 08:40 estava no aeroporto. Que perda de tempo. Uma névoa baixou em Delhi e deixou o aeroporto fechado. Meu vôo foi adiado para 12:30 e quando foi 12:15 fiz meu check in. Aí descobri que meu vôo atrasaria mais umas 3 horas...

Nesse meio tempo, passei por uma mulher linda e toda extravagante, fiquei reparando na muchacha e quase não noto quem estava do lado dela. Só notei quando um bando de indianos começaram a se aproximar: era o Steven Seagal! Heehehe

Não dava pra tirar foto porque minha mala já tava lacrada, mas deu vontade de perguntar pra ele se ele acha que consegue bater no Chuck Norris. O cara é alto pra caramba e tem mesmo aquela cara de mau sem expressão.

Bom, finalmente meu vôo saiu, cheguei em Bangalore quase 8 da noite. E que excelente primeira impressão. Primeiro o clima, 26 graus, umidade no nível certo, arvores e jardins. Que beleza!

Aí peguei um táxi e enfrentei pela primeira vez o transito mais impossível do mundo. Engarrafamento de São Paulo é fixinha. É como se todos os dias, as principais avenidas ficassem igual à Bandeirantes na véspera de feriadão.

No caminho muitas lojas, muitos shoppings, hotéis e prédios muito bacanas. Cerca de 1 hora e meia depois, cheguei na casa de hóspedes da empresa, onde ficaria nas primeiras semanas enquanto não achava um lugar definitivo.

Embassy Palace é o nome do lugar, e que palácio. Fiquei maravilhado ao entrar e ver a sala. Realmente não esperava esse tipo de tratamento. Quarto enorme, banheiro enorme, tudo de primeira. Além disso, no prédio tem uma área externa cheia de árvores, um pátio, muito gostoso. Pena que tem prazo pra acabar...


Plaquinha

Hall de Entrada

Sala
Sala de Jantar

Cama

Guarda-roupa

Pátio

Área externa

O Segurança queria aparecer...


(English Version)

I knew since the begining that I was supposed to live in Bangalore, but I adapted myself very well in Gurgaon, made lots of friends and I liked the people from work... Suddenly I had to run away.

Two big events were supposed to happen in Bangalore and they needed someone to cover it and deal with the media. So I had to pack my stuff, say a quick goodbye to my friends and leave to Bangalore.

My flight was supposed to leave at 10:30 and at 08:40 I was at the airport. What a waste of time. An incredible fog blocked Delhi sky and the airport was closed to arrivals and departures. My flight was postponed to 12:30 and at 12:15 I made my check-in. Then I discovered that the flight would be more 3 hours delayed.

While waiting, I passed through a gorgeous woman all fancy dressed. Looking at her I almost didn’t noticed who was besides here – I just noticed when a dozen of Indians started to approach the guy: he was Steven Seagal!

I could not take pictures because my case was already sealed, but I really wanted to ask him if he thinks he can beat Chuck Norris. The guy is very tall and really has that bad face without any expression.

Well, finally my flight took off and I arrived in Bangalore almost at 8pm – and what a great first impression! First the weather, 26 degrees, humidity at the perfect level, trees, gardens. How nice!

Then I took a taxi and faced for the first time the most impossible traffic in the whole world. Traffic jam in Sao Paulo is easy in comparison to this.

In the way I could see many stores, many shoppings, hotels and very nice modern buildings. Around 1,5 hour late I arrived at the company’s Guest House – where I would stay during the first couple of weeks while searching for my accommodation.

Embassy Palace is the name of the place – and what a palace! I was amazed while walking into the living room. I was really not expecting this level of luxury: huge bedroom, big bathroom, all with the finest finishing. Besides that, an external area full of trees, a patio, all very pleasant. I’m sorry that I have to leave this place…

Curiosidades I

De vez em quando vou postar aqui algumas surpresas que encontro nesse país maluco. Comprei um caderninho bacana, feito a mão, e nele sempre anoto novas descobertas e curiosidades...

TV
Assisti pouco a televisão aqui na Índia, por falta de tempo. Tem sempre coisa melhor a se fazer. Bom, mas a TV a cabo aqui é igual a de qualquer parte do mundo. Muitos canais, vários repetidos, passando a mesma coisa. Ao invés de 5 canais de futebol, eles tem 5 de Cricket – ô joguinho sem graça. Tem HBO, mas é bem diferente. Os filmes não são tão recentes e tem umas produções de quinta categoria. Além disso, tem intervalo comercial no meio dos filmes.

Por falar nisso, comercial tem demaaaais. Alguns são bem bons, engraçados, emotivos e bem criativos. Imagina o seguinte, sabe aquele canal de noticia Bloomberg? Fica passando um monte de coisas em volta e tem um quadradinho com o repórter falando. Tem de filme canal assim por aqui, que fica passando propaganda ao redor de uma telinha separada pra atração principal.

Filmes de Bollywood tem demais, tem canal especializado só em clipes de Bollywood, outros só em trailers de Bollywood… Outra coisa que está na moda são as competições caça talento. Os “American Idol” indianos estão em todo lugar. Horrível! Ahh tem BigBrother aqui também, mas se chama “BigBoss” (boss pra eles é tipo o “moço” de mineiro).

Comida

Que a comida é apimentada, cheia de temperos, se come muito arroz e pouca carne, acho que todos já sabem. Alguns detalhes interessantes: é raro você receber uma faca numa praça de alimentação por exemplo. Eles te dão garfo, colher e pronto! Pra aliviar a pimenta da comida, a maioria dos pratos vem com um molhinho de iogurte azedo do lado. Eu não gosto, prefiro a pimenta que o azedo.

Você consegue achar carne de vaca e de carneiro aqui, mas o mais comum é o frango mesmo. E por várias vezes comi um prato com frango e não consegui descobrir que parte do frango que era. Eles cortam a galinha de um jeito muito diferente. Você tem sorte quando pega uma coxa ou um peito.

Agora a coisa mais legal são os símbolos para “Vegetariano” e “Não-vegetariano”. O engraçado é que isso não é só com a comida. Tem esse símbolo na embalagem do xampu, do creme dental, do desodorante, dos remédios…

Fiquei curioso e perguntei porque até os cosméticos tem o símbolo pra certificar que é vegetariano. Há alguns anos aconteceu um escândalo com uma linha de cosméticos que estava usando gordura animal pra produzir seus produtos. Aí isso gerou um bafafá danado e por isso agora todos mostram claro pra ver.

Bebida

Álcool aqui é caro pra caramba e não se compra em qualquer supermercado, padaria, posto de gasolina, ou buteco. Tem as lojas especializadas e os bares de hotéis que vendem. A cerveja mais famosa aqui é a Kingfisher e é boa. Bem parecia com as nossas Bhrama e Skol.

Mulheres


Bom, vocês já devem saber que as mulheres aqui são bem conservadoras, que não se chega assim facilmente como nas nossas festinhas brazucas. Vou falar de outros detalhes, por exemplo: cabelo. Acho que tem mulher no Brasil que mataria pra ter o cabelo das mulheres daqui.

A cor não varia, é preto! Mas a maioria das mulheres tem um cabelo comprido, liso, brilhante que me chamou a atenção. Às vezes é uma faxineira, que tá toda suja no meio do dia de trabalho, feinha, mas o cabelo é uma beleza!

Falando em beleza, se acha mulher indiana bem bonita, de verdade. No corpo, claro que falta a bunda e a cinturinha das brasileiras. Mas às vezes você se surpreende com uma mulher realmente bela por aqui.

As mulheres parecem estar cada dia mais se empoderando por aqui. Fiz várias reuniões de negócios, que do outro lado da mesa eram mulheres, fortes, de atitude. No trabalho mesmo você vê as mulheres fazendo questão de se mostrarem independentes e cheias de si. Numa terra tão machista, elas precisam mesmo se afirmar.

Aniversário

Durante meu mês em Gurgaon, presenciei o aniversário de alguns colegas da empresa. Muito estranho, sem graça. A pessoa chega, tem o bolo. Aí se canta um Parabéns pra você, super rápido e sem ritmo.

A pessoa corta o bolo e é aplaudida nesse momento. Entrega o primeiro pedaço à pessoa mais importante do recinto (no caso, o chefe). Troca um simples aperto de mão com cada um. E passa um pedaço de bolo de pessoa em pessoa, e cada um vai retirando um pedacinho. Depois a galera ataca o bolo de vez. Sem graça.

Segurança

A maioria dos shoppings e prédios comerciais tem um detector de metal na porta e um segurança com outro detector portátil. Mas acho que eles não leram o manual ainda. Você passa pelo detector e ele apita, indicando que você está carregando algum metal. O guardinha vem, passa o detector portátil de longe em você. O detector apita novamente indicando que você tem mesmo algo de metal. Aí ele deixa você ir, sem nem que mostre o que é que fez o aparelho apitar. É como: “Sim senhor, você tem metal, pode prosseguir.” Nonsense!

Anúncios

Como havia dito antes, a publicidade é fervorosa aqui na Índia. Nos jornais, você tem anúncio em todas as páginas, sem excessão. As vezes tem mais anuncio que notícia. O mais bizarro são os anúncios matrimoniais: “Fulano procura esposa que seja paciente, saiba cozinhar e cuidar de crianças”. “Fulano, gerente de multinacional, boa aparência, procura mulher para casar.”

Pra quem não sabe, a maioria dos casamentos aqui na Índia são arranjados. Geralmente são os pais que definem com quem a filha e o filho vão se casar. E não to falando de uma antiga tradição que ainda permanece em algumas zonas rurais. Colegas de trabalho, formados, com mestrado, viagem pro exterior, nascido e vivido em grande metrópoles, se casaram após a escolha dos pais.

Aparência

Os indianos (homens) são extremamente vaidosos. Se você vai numa boate ou no shopping, irá ver os indianos com todo estilo de andar, vestir, falar… No banheiro tem disputa pelo espelho e todos molham e penteiam os cabelos. Cabelo, barba e bigode são o que definem o estilo do cara.

Amizade

Isso ainda me choca muito. Tenho até vergonha de tirar foto pra mostrar pra vocês. Os homens aqui andam de mãos dadas e abraçadinhos, feito namorados. Podem me chamar de machista ou homofóbico, mas é meio estranho ver dois (ou mais) caras andando de mãos dadas, com os dedos entrelaçados e tudo.
(English Version)
From time to time I’ll post here some surprises that I face in this crazy country. I bought a nice notebook, handmade and I always take notes over the new discoveries and curiosities…

TV
I just watched TV a little bit here in India, because of lack of time – there’s always something better to do. The cable TV is the same as everywhere else in the world: too many channels, many repeated channels, all passing the same thing. Instead of having 5 football channels, they have 5 cricket ones – how lame is this game. There is HBO but is quite different. The movies aren’t new ones and there’s many awful ones. Besides that, there are commercial breaks during the movie. Talking about that – there’s too many commercials. Some of them are good, emotional and quite creative.

Picture this: you know a Bloomberg kind of channel that passes hundreds of content around a small screen where there is the reporter. Some movie channels are like this here: all the advertising around and the movie passing in the small screen.

Bollywood movies are a hit: there are channels only for Bollywood videoclips, other only with Bollywood movie-traillers… Another big hit are the talent hunting contests. The Indian versions of “The American Idol” are everywhere: awful! They also have the “Big Brother” but here is called “The Big Boss” (everybody is called boss here – it’s just like “dude”.)
Food
That the food is hot, full of spices, has lots of rice and no beef, I guess everybody already know. But there are some details quite interesting like: you often don’t receive a knife to eat in a food court by example – only spoon and fork. To refresh the spices many dishes come with a sauce made of yogurt. I don’t like it.

You can find beef and lamb here but the most common meat is chicken. For many times I ordered chicken but I could not find out what part of the chicken I was eating. They cut the chicken in a different way – you’re lucky when you receive a piece of breast or legs.

Now, the most curious thing are “Veg” and “Non-Veg” symbols. The curiosity is that those symbols are not only for food. You can find it in your shampoo, tooth paste, medicines…

I was curious and asked an Indian guy why even the cosmetics have symbols to say it’s vegetarian. The guy told me that some time ago there was a big scandal with a cosmetic manufacturer which was using animal fat to produce its products. That generated a huge discussion and that’s why now they have the symbols.

Liquor
Liquors here are quite expensive and you can’t easily find in any supermarket, bakery, gas station or corner shop. There are specialized liquor shops and hotels that sell it. The most famous beer is the Kingfhisher – its good, similar to the Brazilians Bhrama and Skol.

Women
Well, you shall know that women here are quite conservative and that you can’t approach them like we do in Brazil. So, I’ll talk about other details like: their hair. I’m sure some women in Brazil would kill to have a hair like Indian ladies have.

The color is only one: black. But the majority of women have a long, straight and shining hair – that caught my attention. Sometimes is a cleaning lady all dirty after a day of work – she’s ugly but the hair is perfect.

Talking about beautiful things, you can find a really beautiful Indian woman: of course that their bodies don’t have the Brazilian perfect but and the tiny whist – but sometimes you get surprised with a really gorgeous lady.

It seems that day-by-day women are getting empowered here. I had many business meetings in which at the other side of the table there was a strong and full of attitude woman. At work you see women making people notice how independent and self-sufficient they are – and in a extremely sexist land like India, they should.
Birthday
During the month I spent in Gurgaon I was present in some colleagues birthday celebration: nothing special. The guy comes in and there is a cake, people sing a “Happy birthday to you” very fast and without rhythm while the cake is cut.

He/She delivers the first piece to the most important person in the room (in all the cases: the boss). People exchange a simple handshake and take a little piece from the first piece of cake. After that everybody eat the rest of the cake. No fun.

Security
Most of the malls and commercial buildings have a metal detector at the gate and another security guard with a portable one – but I think they never read the user-manual. You go through the metal detector and it beeps – showing that you have something made of metal with you. The guard comes and passes the portable detector. It beeps also indicating that you really have some metal stuff in you bag. Then the guard just let you go without checking what was making the detector beep. It’s like: “Yes Sir! You do have something dangerous in your bag, please come in!” Non-sense!

Advertising
As I said before, advertising in India is huge. In the newspapers you have ads in all the pages – no exception. Some pages have more ads than news. The most bizarre ones are the matrimonial ads: “John Doe looks for wife who is patient, knows how to cook and likes children”. “John Doe, manager in a multinational company, good appearance: looks for woman to marry.”

For those who don’t know: most of the marriages in India are arranged. Usually the parents are the ones who decide with whom their sons and daughters are getting married. I’m not talking about an antique tradition that still survives in the middle of the country. My teammates who have masters’ titles, traveled around the world, born and raised in a metro: married after the parents’ choice.

Looks
The Indian guys are extremely vain. If you go to a club or to a shopping mall you’ll see them with their fancy way to dress, the stylish walk and talk… In the bathroom there’s a fight for a space in front of the mirror – they are all splashing water and brushing their hair. Hair, beard and mustache are the features that define the guy style.
Friendship
This still chocks me a lot – even makes me embarrassed to take a pictures and show it to you: The mans here walk holding hands and embraced like boyfriends. You can call me sexist or homophobic, but for me is quite strange to see two (or more) guys walking and holding hands – sometimes also with the fingers crossed between the hands.

SurajKund em Faridabad

No Domingo, combinamos de juntar a galera e ir numa feira gigante que acontece em Faridabad (uma cidade perto) 1 vez por ano. O ônibus demorou um bocado, e quando entramos, sentei no fundão. Bem na minha frente instruções que eu preferia não ler: “Olhe embaixo do seu assento. Pode ter uma bomba. Alarme a todos. Receba recompensa.”

Depois de penar muito na mão dos auto-riquixás, chegamos na tal feira. Realmente era gigante. Logo na entrada, crianças brincando com camelos e muitas, muitas cores diferentes.

Estava bem cheio, mas dava pra andar tranqüilo e olhar as tendas. Eu sabia que não ia comprar nada, ficando 1 ano aqui, prefiro comprar quando estiver indo embora. Mas a galera tava alucinada, comprando lembrançinhas e presentes.

Pra minha surpresa, avistei de longe uma bandeirinha do Brasil. Corri até lá e era verdade: uma banca do Brasil, no meio de uma feira típica da Índia. O vice-embaixador estava lá e foi dele a idéia de trazer 5 artesãos do Brasil para representar o país na feira. Eram 2 de Manaus e 3 mulheres rendeiras de Pernambuco.

Tadinhos, estavam perdidos porque não falavam inglês, e o pior: não sabiam que aqui os preços são elevadíssimos e você tem que negociar muito até chegar no preço certo. As coisas deles eram baratinhas e todo indiano que chegava ficava barganhando. Eu fiquei por alguns minutos ajudando as donas a vender a renda, traduzindo e negociando preço, a galera rachou de rir enquanto eu trabalhava de feirante.

Além de muitas barracas, tinha muita música e dança. Tirei poucas fotos porque quis fazer um videozinho pra vcs sentirem o clima. O povo andando nas tendas e música clássica indiana no ar. Eu gostei muito, mas tava de saco cheio no final – não gosto de “compras”.


Não ganhei recompensa.
Dança e música

As tendas.

Multidão

Os brazucas

Mais dança.

Ó eu!


Passeando pela feira

English Version

On Sunday we planned to get everybody and go to SurajKund a huge fair that happens every year in Faridabad (close to Delhi). The bus tool a long time to came and when we got in I took a seat in the back. Right in front of me it had some instructions that I’d rather no to read: “Look under your seat. There could be a bomb. Raise alarm. Earn reward.”

After having a bad time with the auto-riquishaws we reached the fair. It was really huge! Right in the entrance we could see children playing with cammels and many different colors.


It was quite crowded but we could walk around with no issues and take a look at the tends. I knew that I was not going to buy anything – being one year in India, I prefer to buy souvenirs when I’m leaving. But the rest of the guys where excited, buying a bunch of stuff.

To my surprise I saw a little Brazilian flag hanging far away. I ran to the place and it was true: a Brazilian tend in the middle of a typical Indian fair. The Vice-Ambassador was there and it was his idea to bring 5 artisans from Brazil to represent our country. They were 2 guys from Manaus and 3 women from Pernambuco.

The poor guys were suffering because they didn’t knew how to speak English and worse: they didn’t knew that here everything is overpriced and you have to negotiate for a long time till you reach a fair price. Their handicrafts were cheap and every Indian costumer was bargaining. I stayed there for a couple of minutes helping the ladies to sell, translating and negotiating the price – my friends laughed a lot while I worked.

Besides many stands and products there were lots of musical and dancing performances. I took less pictures this time because I wanted to make a video – so you can feel how was the fair. I liked very much, but in the end I was completely bored – I don’t like shopping.