Thursday, June 12, 2008

Hyderabad - Cidade das Perolas

Já faz mais de um mês que fiz essa viagem, mas só agora tive cabeça pra postar... Os trainees da AIESEC que estão fazendo seu traineeship na Índia foram convidados pela Indian Business School (ISB) para ir até Hyderabad.

A ISB oferece um dos melhores MBAs da Ásia e tem o objetivo de alcançar o topo dos rankings internacionais (já é top20 no mundo). Pra isso, os caras precisam de maior diversidade de estudantes (mais estrangeiros) e então fizeram uma parceria com a AIESEC e estão oferecendo bolsas de 50% e nos pagaram pra ir até lá conhecer o programa.

Como eu queria mesmo conhecer Hyderabad, aceitei o convite e embarquei em mais uma viagem. Soube que iriam outros 3 trainees daqui de Bangalore também, mas acabei não conseguindo comprar passagem no mesmo vagão deles.

Então, estava sozinho na estação esperando o trem. Já tinha viajado de trem antes, então não foi nenhum problema. Comprei uns chips, água e um chocolate e estava pronto pra viagem. Muito cansado do trabalho, dormi logo no início e só fui acordar no outro dia em Hyderabad – ou melhor, acordava em cada estação quando entrava os vendedores de chá, café, salgadinhos, sanduíche... Os caras além de gritar, me acordavam aos cutucões pra saber se não queria mesmo comprar algo.

Chegando em Hyderabad, desci logo e fiquei esperando na saída, para ver se conseguia ver os outros 3 trainees – não é tão difícil identificar 3 estrangeiros numa multidão de indianos. Foram uns dos últimos a sair, mas encontrei o Hunny (Alemanha), o César e o Kelvin (Costa Rica) e fomos para a escola.

A escola fica numa SEZ do governo (Special Economic Zones) – são regiões em que o governo alivia nos impostos pra atrair empresas e investimentos para desenvolver a região. Assim, tem prédios moderníssimos e belíssimos da Microsoft, InfoSys, etc...

A primeira impressão foi excelente, gramados bem cuidados, jardins e prédios novos e modernos. Fomos alocados nos quartos e informados que a programação começaria depois do almoço. Então fomos conhecer um pouquinho da escola, surpreendente! Ficamos na biblioteca, que tem também um cyber-café e emprestam DVDs. Filmes excelentes, de tudo que é parte do mundo.

Durante a manhã foram chegando outros trainees e durante o almoço já éramos uns 30 de tudo quanto é parte do mundo! Um deles era o Cris, da Grécia. O cara saiu de uma ilha que tinha 1000 habitantes. Imagina o choque dele de estar na Índia! Era muito engraçado falar com ele...

Depois de comer, fomos a uma apresentação do coordenador do MBA, que nos apresentou toda a escola, o programa e como funciona a bolsa. Depois da apresentação, entramos num ônibus para começar o tour por Hyderabad.

Já era de tardinha (ônibus atrasou) e fomos até o Golkonda Fort. São as ruínas de um forte de uma antiga capital de um império mulçumano. A cidade era muito rica, graças aos diamantes encontrados nos seus arredores. Por isso, também passou por muitas batalhas, até sucumbir ao império Mogol.

Não só pelo tamanho, o que impressiona muito no forte é sua arquitetura. Estamos falando do século 14, e a arquitetura é tal que cria: um sistema de alarme, um detector de metais, iluminação e muitas armadilhas aos inimigos. Não pagamos guia (queria nos cobrar o olho da cara), mas fiquei perto de um grupo de Coreanos e fui entendendo o que o guia falava pra eles.

Ao passarmos por uma câmara, ele explicou que ali funcionava um sistema de alarme. Se você ficar bem no centro da câmara (tem uma marcação no chão e no teto) e bater palmas com força, ela pode ser ouvida em todo o forte. Claro que eu fui lá bater palmas e é mesmo incrível o eco que dá.

Mais adiante, um grande corredor de colunas grossas. Ali entendi que era o detector de metais. O posicionamento das colunas e o formato do teto é tal que a acústica é inacreditável. Um farfalhar de roupas no início do corredor é escutado no fim do mesmo, onde fica um portão para a área do imperador. Então, se um visitante estivesse carregando uma espada ou um machado por baixo da roupa, o barulho do metal seria escutado e os guardas saberiam que ele estaria armado.

A noite caiu e então começou um show dentro do forte. É uma apresentação que utiliza luzes coloridas, uma fonte de água e caixas de som espalhadas pelo forte, contando a história do lugar como um romance. Eu não gostei muito, achei Bollywoodiano demais e tinham milhares de pernilongos comendo a gente vivo. Então saímos antes do show acabar.

Voltamos para o ISB, mas antes paramos numa lojinha pra comprar bebida e encontrar outros trainees. Ficamos na grama, ouvindo música, bebendo, dançando e rindo muito. A madrugada chegou e fomos continuar a festa na piscina. Gritamos, pulamos, fizemos “briga de galo”, cantamos e fomos crianças de novo – só que um pouco embriagadas... Rs. Estava com saudade dessas farras com o pessoal da AIESEC.

No dia seguinte, os que acordaram ainda pela manhã aproveitaram pra usufruir do centro esportivo do ISB. Jogamos basquete, sinuca, nadamos e fomos almoçar. Depois do almoço, embarcamos de novo no ônibus para a segunda parte do tour por Hyderabad. Dessa vez, fomos até o lago Hussain Sagar. O lago é bem grande e em sua volta tem gramados e jardins, muita gente deitada, criançada brincando, sorveteiro, pipoqueiro. Pena que fede pra caramba!

No meio do lago tem uma estátua de Buda, em pé, sobre a pedra de Gibraltar e abençoando o Sul, para onde os budistas foram expulsos durante algum conflito no passado. Acho que foi a primeira vez que vi o Buda de pé.

De lá, fomos para Charminar. É uma mesquita bem grande, com quatro grandes torres. Foi construída depois que a capital mudou de Golkonda para Hyderabad. O bairro é totalmente mulçumano, cheio de lojinhas de ouro, temperos, caótico e com muitas mulheres de burca. Infelizmente não dá pra fotografar muito, é uma agressão. Tentei flagrar uma cena interessante, uma banca de pimentas coloridas cercadas por mulheres todas vestidas de preto. Não deu, uma delas me viu com a câmera na mão e já ficou ressabiada.

Subimos na mesquita e tivemos uma visão legal da cidade. De novo a arquitetura é toda pensada em defesa contra ataques e também na propagação do som para as orações (desculpe minha ignorância se para mulçumano não se chama orações).

Já era hora de pegar o trem de volta a Bangalore. Fiquei no meio do caminho, pedi informações na rua e cheguei com antecedência na estação de trem. Deu tempo de tirar fotos (até lembrou de looonge a Praça da Estação de BH). Dentro do trem, a versão Indiana do que a mamãe já dizia: “não aceite doces de estranhos”.

Dizia assim:
“Por favor, não aceite biscoitos/doces/bebidas/qualquer alimento, que possam conter drogas/intoxicantes maléficos, de estranhos que irão lhe deixar inconsciente e roubar seus objetos de valor.”

Vou fazer um post só com placas bizarras, tenho que tirar mais fotos.

Trem para Hyderabad
Indian Business School



Golkonda Fort

Câmara de Alarme

Buda - Hussain Sagar

Pedra de Gibraltar

Bairro Mulçumano & Charminar

Lojas e temperos

Trainees na multidão

Entrando na Mesquita - Charminar

Charminar

Visão frontal

Em uma das torres

Tava vazio...

Ornamentos

Estação Kachiguda - Hyderabad

Mamãe já dizia...

Friday, May 16, 2008

Parênteses: Música

Hoje parei pra pensar sobre música. Passo os dias no trabalho escutando uma radio online, que toca de tudo, tudo mesmo. Você digita uma banda ou uma palavra qualquer e a radio vai começar a tocar músicas relacionadas àquilo. Vira e mexe uma música que nunca ouvi antes me chama atenção, paro o trabalho pra ver o nome da música, anoto num caderninho e continuo depois.

Gosto demais de música. De tudo quanto é tipo, mesmo. Não consigo achar 1 estilo que me desagrade por completo, todos tem alguma coisa que goste. Tango, axé, clássica, fado, samba, pagode, rock, funk, folk, blues, jazz, sertaneja, pop, metal, rumba, merengue, flamenco, techno, hiphop, a capela, gospel, forró, cantoria, bossa nova, chorinho, minimalista, karnatica, maracatu, frevo, punk, progressiva; cansei de lembrar...

Tem música pra arrumar casa, música pra dirigir, música pra cozinhar, música pra namorar, música pra dançar, música pra rir, tem música pra tudo! Existe forma de expressão mais completa que a musica? Nem precisa de letra e se tiver você nem precisa entender o idioma, ela te toca. Tem coisa mais universal que isso? Através da musica você pode sentir tudo. Feliz, triste, saudade, amor, raiva, agitação, tranqüilidade, energia, preguiça, tudo.

Se está sozinho, cante. Se está acompanhado cante junto. Se está bem acompanhado, cante pra ela.

Morando sozinho e sem TV em casa, fiquei mais próximo de 2 companheiros muito agradáveis: a musica e o livro. E não é que eu gosto de juntar os dois? Ontem li Gabriel García Márques com Radiohead.

Acho que durante nossa vida a gente vai formando além de nossa história, nossa trilha sonora. Cada música remete a uma época, uma pessoa, um momento, uma lembrança qualquer.

Talvez por isso, de todos os artistas, os músicos são os que têm os fãs mais fiéis e apaixonados. Eles escrevem nossa trilha sonora e ao fazer isso cria uma conexão irracional, às vezes inconsciente. Quem nunca escutou uma música e pensou: “É exatamente assim que me sinto”. Parece que o compositor passou pela mesma experiência, ele te entende e traduz tudo em música.

Tem aquele ditado que um homem, antes de morrer, tem 3 coisas a fazer: plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho. Vou adicionar uma coisa: fazer uma música.




PS: Adicionei no menu do lado direito os livros que estive lendo e as últimas músicas que escutei. Quem quiser descobrir alguma coisa nova (ou velha), olha lá.

(English Version)

Brackets: Music

Today I got myself thinking about music. I spend the days at work listening to an online radio that plays all kinds of songs, really all kinds. You just type a band name or any word and the radio will start playing songs related to that. From time to time a music that I never listened before calls my attention; I stop the work to see the name of the song, write it on a notebook and then I continue working.

I just love music: all the genres, really. I can’t find one genre that I dislike for complete – all of them have something I like. Tango, axe, classical, fado, samba, pagoda, rock, punk, funk, folk, blues, jazz, country, pop, metal, trash, rumba, merengue, flamenco, techno, hip hop, a capela, gospel, forro, bossa nova, chorinho, minimalist, karnatic, maracatu, frevo, progressive; I’m tired of trying to remember…

There is the right music to clean the house, music to drive, music to cook, music to date, music to dance, music to laugh; there’s music for everything! There is most complete form of expression than music? There’s no need to have lyrics and if it has, you don’t need to understand the language – it touches you. There is something more universal than that? Through music you can feel everything: happy, sad, nostalgic, love, anger, excitement, calm, energetic, laziness, everything.

If you are alone, sing. If you have company, sing together. If you have a good company, sing to her.

Living alone and without TV I’ve got closer to 2 mates very pleasant: the music and the books. Guess what? I love to combine both. Yesterday I read Gabriel Garcia Marques with Radiohead.
I believe that during our life besides writing our history we are composing our soundtrack. Each music refers to a specific time, person, moment; a memory.

Maybe that’s why, from all the artists, the musicians are those which have the most loyal and passionate fans. They compose our soundtrack and, by doing that, create an irrational connection with us – sometimes even unconscious. Who never listened to a song and though: “This is exactly how I feel”. It seems that the writer experienced the same thing – he/she understands you and translates everything into music.

There is a say: “a man has to achieve 3 things before he dies: plant a tree, write a book and have a child”. I’ll add something: write a song.

Monday, May 5, 2008

Trabalhar na Índia

Não estou na Índia a turismo, então deixa falar um pouquinho de como é meu trabalho aqui. Como havia escrito antes, estou trabalhando na Alcatel-Lucent como executivo de comunicação.

Estou gostando muito, pois o desafio é grande. O mercado de telecomunicações / networking é extremamente competitivo e cresce a passos largos na Ásia. A cada semana tem novos contratos sendo fechados envolvendo milhões ou bilhões de dólares, as empresas disputam nariz a nariz posições no mercado e a guerra por talentos e tecnologia é intensa.

Isso não fosse o suficiente, a Alcatel-Lucent é o resultado de uma fusão de gigantes (a francesa Alcatel e a americana Lucent), que se tornou a maior empresa de tecnologia de comunicação do mundo. Com a fusão de 2 gigantes, uma nova identidade corporativa foi criada, não é mais Alcatel, não é mais Lucent: é Alcatel-Lucent. Se fosse só o nome, tudo bem, mas estamos falando de toda uma nova cultura organizacional e a percepção sobre ela.

E meu trabalho está diretamente ligado a difusão dessa nova identidade, internamente a todos os empregados e externamente à mídia, aos clientes, aos futuros empregados, etc. Estou bem satisfeito porque tenho assumido responsabilidades e projetos que não imaginava ter em mãos nessa fase da minha carreira. Trabalho junto à diretoria da empresa e sou o único responsável por comunicação corporativa em Bangalore, onde se concentram a maioria dos funcionários da Índia.

Bom, ao invés de falar o que estou fazendo aqui, acho mais interessante contar a vocês algumas curiosidades do ambiente de trabalho:

Reuniões

Assim como no Brasil, se fazem muitas reuniões. Seja pra acompanhar projetos, brainstorm de idéias, apresentarem novas propostas, etc. Na reunião sempre tem alguém presidindo, com a pauta e alguém tomando notas para a minuta, bem organizadinho. Meu grande problema no início era entender o sotaque indiano, às vezes ficava muito perdido nas reuniões e jurava que não estavam falando inglês. Hoje já é tranqüilo, acompanho tudo e opino bastante – aí é a vez deles terem que se esforçar para entenderem meu sotaque.. hehe

O que eu detesto são as reuniões por telefone. Como estamos em muitas localidades na Índia e eu estou envolvido em projetos pro país inteiro, frequentemente tenho que participar de reuniões por telefone. Aí é uma zona! O sotaque piora pelo telefone, um fala em cima do outro, as vezes a pauta se perde, eu detesto!

Graças à tecnologia disponível, já participei de alguns treinamentos virtuais muito interessantes pela empresa. No último, sobre a ferramenta de análise da intranet e da internet da empresa, participaram responsáveis por comunicação do mundo todo: alemanha, rússia, espanha, franca, EUA, áfrica do sul, china, japão... e eu na Índia. Com 1 clique, estávamos todos acompanhando a tela da mulher nos EUA que estava dando o treinamento, quase sem nenhum delay.

Devido ao fuso horário, quando chegamos às 18:00, começam as ligações internacionais e as conferencias. Aí é uma bagunça de telefones ao viva-vós, cada um com um sotaque diferente e os engenheiros se amontoando nos cubículos para participar da reunião.

Ambiente

O ambiente de trabalho também lembra muito o das grandes empresas em terras brazucas. O clima é amigável, hora ou outra se escutam algumas risadas, a parada do café é rotina, todo mundo se cumprimenta com um sorriso... Cubículos separam os funcionários fisicamente, mas a comunidade é dividida por algumas “tribos”. Têm os engenheiros juniors, novinhos, sempre juntos discutindo problemas nos seus softwares, as festas do ultimo fim de semana, o campeonato de cricket. Têm as meninas do RH, sempre juntas a dar risadinhas discretas. Os engenheiros seniors, que parecem mais ocupados sempre e tem um ar de mentores de seus times de juvenis.

Aqui em Bangalore, onde se concentram a força de P&D da empresa, o clima é bem mais informal que em Gurgaon e Mumbai, onde estão a maior parte da administração. Eu estou sempre de roupa social, mas as é comum ver a galera de jeans, chinelão de dedo, e umas camisas coloridas (daquelas da década de 70).

Ritmo de trabalho

Uma coisa que havia lido durante minha preparação para a Índia era que as coisas eram mais lentas. Realmente são e isso irrita as vezes, mas aí temos um diferencial: todos acham que eu entrego tudo muito rápido no trabalho.

O que me chama mais atenção é que tudo é bem arrítmico. A gestão de tempo não é muito o forte aqui. Os processos vão se acumulando num gargalo (geralmente alguém que tem que dar o “sinal verde” para seguir adiante) e depois, quando não há mais tempo, temos que correr com tudo pra entregar no prazo. Vou dar um exemplo fictício pra esclarecer:

Digamos que a empresa quer desenvolver uma estratégia para aumentar sua visibilidade ante aos universitários e atrair talentos – prazo: 1 mês para o fim das aulas e início das férias e formaturas. Aí eu sou chamado para montar o plano de comunicação. Eu faço um brainstorm, monto um documento com minha sugestão de plano e mando pra diretoria aprovar – faço isso em 1 semana. Meu documento provavelmente vai ficar parado nas mãos de alguém, que só vai me responder com feedbacks faltando poucos dias pro início das aulas. Aí eu tenho uma semana de cão pra colocar tudo funcionando dentro do prazo. Por isso as vezes tenho semanas tranqüilas e chatas, e depois vem uma tempestade de coisas pra resolver.

Comida

Como todos os dias no “bandejão” da empresa, junto com todos os outros funcionários: gerentes, diretores, engenheiros, todo mundo. Eu como a comida do buffet, custa 35 rupias (pouco menos de 1 dolar). A comida é vegetariana, mas eu gosto. Todos os dias tem: 1 sobremesa, 1 ou 2 tipos de pão (sem fermento) arroz branco, arroz cheio de tempero, 2 ou 3 “ensopados” ( a comida indiana geralmente tem muito molho), salada de pipino, sopa e um salgadinho de arroz frito (tipo chips).

Eu como quase de tudo, mas às vezes tem surpresas ruins... Um exemplo: eu adoro batata. Quando tem ensopado de batata eu loto o prato. Outro dia coloquei um monte! Molho vermelho com pedaços de batata cozida. Na primeira garfada, descobri: era abacaxi!! Hurgh!

Muita gente traz comida de casa, vêm com as vasilhinhas tapperware e esquentam no microondas. Eu vou levar comida de vez em quando, já que sempre faço a janta em casa.

Tenho utilizado meu tempo no escritório como pesquisa também. Pra quem ainda não sabe, estou escrevendo um livro sobre como fazer negócios na Índia, espero publicar o livro assim que voltar para o Brasil, início de 2009. Lá vocês vão encontrar outras curiosidades do mundo dos negócios indiano.

(english version)

Working in India

I’m not in India as a tourist. So, let me write a little bit about my job here. As I wrote before, I’m working at Alcatel-Lucent as Communication Executive.

I’m really enjoying because the challenge is quite big. The telecommunications/networking market is extremely competitive and is growing at giant steps in Asia. Every week there is a new deal being made with millions or billions of dollars on the table. Companies compete “nose by nose” for positions in the market and the war for talents and technology is intense.

As if that was not enough challenge, Alcatel-Lucent is the result of a merger of giants (the French Alcatal and the American Lucent Technologies), becoming the largest communication technology company in the globe. With the merger of 2 giants a new corporate identity was created: is no longer Alcatel and no longer Lucent Technologies, but Alcatel-Lucent. If it was only changing names, would be all right – but we are talking about a whole new organizational culture and the perception over it.

My job is directly linked to spreading this new identity internally (to all the employees) and externally (to media, clients, future employees, etc). I’m very satisfied because I’m assuming responsibilities and projects that I could not imagine having in my hands at this point of my career. I work closely to the Leaders of the company and I’m the only person of the Corporate Communications team in Bangalore, where is concentrated the majority of the R&D employees of India.

Well, instead of just write about what I’m doing here, I think is more interesting tell you some curiosities about the work environment:

Meetings

Just like in Brazil, there are lots of meetings: to follow-up projects, brainstorm over new ideas, proposal presentations, etc. At the meeting there are always someone chairing and someone taking notes for the meeting minute; all well organized. At the beginning my biggest problem was to understand the Indian accent – sometimes I just got lost during the meetings and I could swear they were not speaking English. Now it’s ok, I can follow the whole meeting and also give my perceptions – then is their time to struggle to understand my accent. Lol.

What I really hate are the conference calls. As we are at many different locallities in India and I’m envolved in projects across the country, I have to join conference calls frequently.
Then it’s a mess! The accent is even harder to understand over the phone, everybody speaks at the same time, the topics are not followed; I hate it!

Thanks to technology available I already joined some very cool virtual trainings through the company. The last one was about the analysis tool for company’s intranet/internet sites. There were people from all over the world, responsible for communication: Germany, Russia, Spain, France, USA, South Africa, China, Japan… and me in India. By just clicking a button we were all sharing a common screen and a lady from US was teaching us how to use the tool – almost without delay.

Because of the time-zone when is 6pm in the office the international conference calls start. Then it’s a big confusion with all the phone on loud-speaker each one with an accent from somewhere in the world, engineers getting together around a computer screen and joining the meeting.

Environment

The work environment also resembles the one we find in big companies in Brazil. People are friendly, from time to time you hear some laughs, the coffee break is routine, and everybody salutes everybody with a smile… The cubicles separate the employees physically, but the community is divided by some “tribes”. In one corner you have the junior engineer: young, always together discussing problems in their softwares, the parties of last weekend and the cricket championship. In another corner you find the ladies from HR, always together and laughing with discretion. The senior engineers always look more busy and act as mentors of their juvenile team.

Here in Bangalore, where is concentrated the company’s R&D work-force, the environment is more informal than Gurgaon and Mumbai – where is the majority of the corporate/management people. I’m always dressing formal but is quite common to see employees with jeans, flip-flops and colorful shirts (like those from the 70s).

Work Pace

One thing that I read during my preparation to come to India was that processes were slow. That’s true and sometimes can get on your nerves, but then it gives us an differentiation: people think that I deliver things very fast at work.

What gets my attention is the arrhythmic pace. Time management is not something practiced everywhere. Processes get accumulated in a bottle neck (usually someone at higher level who needs to provide “green light” so I can move on) and then, when there is no time, we have to rush with everything to be able to deliver on the deadline. I’ll give one fictitious example to clarify:

Let’s say the company wants to develop a strategy to increase its visibility over students and attract new talents – timeframe: 1 month. Then they ask me to create the communication plan. I do a brainstorm session, create a document with my suggestion and send it to be approved – I do that in 1 week. My document will be sitting in someone desk and I’ll receive feedbacks and the “go ahead” days before the deadline. Then I have week working as in hell to put up everything on the deadline. That’s why I have some boring and calm weeks and then suddenly a storm of activities comes.

Food

I eat everyday at the company’s cafeteria together with all the other employees: managers, directors, engineers, everybody. I eat the food from the buffet – it costs 35 rupees (less than 1 dollar). The food is vegetarian but I really like. Everyday there is: 1 desert, 1 or 2 kinds of Indian bread, plain rice, a rice full of spices and vegetables, 2 or 3 gravies (Indian food is full of gravies), salad, soup and a fried snack.

I eat almost everything (even not knowing what it is), but sometimes I have bad surprises… One example: I love potatoes. When there is a gravy with potatoes I fill in my dish. Some days ago I served a lot of it. It was a red gravy with cooked potatoes within. At the first bite the surprise: it was pineapple!! Hurgh!

Many people bring food from home. They come with their tapperware plastic containers and heat the food on the microwave. Someday I’ll bring food from home also – as I always cook dinner at home.

I’ve been using my time in the office as research also. For those who doesn’t know yet, I’m also writing a book about how to do business in India. I’m planning to publish it as soon as I get back to Brazil – beginning of 2009. In the book you’ll find other curiosities from the India business world.

Friday, May 2, 2008

Futebol na Índia

Durante o mês que passei em Gurgaon morri de vontade de jogar futebol, mas so achei cricket mesmo… Pra minha felicidade, em Bangalore muita gente joga futebol. No estacionamento da empresa tem um campo - com uma arvore no meio, meio terra, meio grama alta, mas um campo.

O pessoal joga todo dia no fim da tarde, eu jogo quando tenho tempo. Quando disse que era brasileiro todos ficaram com caras de bobo, hehehe. É o poder da amarelinha.

Um tempinho atrás, o Jaime e um amigo indiano resolveram organizar um jogo amistoso. Índia contra o Resto do Mundo. Foi muito legal! O time indiano treinava todos os fins de semana, nós nos conhecemos 20 minutos antes do jogo. :P

Placar final Resto do Mundo 7 x 2 Índia. Nosso time era Ed (Inglaterra), Mark (Alemanha), Ian (Camarões) e Djaew (Camarões), Jaime (Portugal), Preetham (Índia) e eu (Brasil).

Depois desse amistoso, montamos um time na empresa e entramos para um campeonato amador daqui de Bangalore. Na primeira fase nos classificamos em segundo do grupo e eu era o vice-artilheiro do campeonato. No fim de semana seguinte, jogamos muuuito mal e perdemos nas quartas de final, para um time muito inferior ao nosso.

Agora é planejar o campeonato interno da empresa... :)


Resto do Mundo 7 x 2 India

Jogo num campo parecido
(English version)

Football

During the month I spent in Gurgaon I was dying to play football but could only find people playing cricket. To my good surprise in Bangalore there’s lots of people playing football. At the parking lot of my company we have a pitch – there’s a tree in the middle, half is dust, half is high grass but it is a pitch.

The guys play everyday in the evening; I play when I have time. When I said I was Brazilian all of them got excited to play with me. Is the power of the little yellow (the Brazilian team jersey).

Some time ago Jaime and an Indian friend decided to organize a friendly match: India versus The Rest of the World. The game was very cool! The Indian team practice every weekend – in our team we got together for the first time 20 minutes before the match.

Final score: Rest of the World 7 x 2 India. Our team was comprised by: Nosso time era Ed (Inglaterra), Mark (Alemanha), Ian (Camarões) e Djaew (Camarões), Jaime (Portugal), Preetham (Índia) e me (Brasil).

After this friendly match the guys formed a team inside the company and we joined a amateur tournament here from Bangalore. On the first stage we qualified as 2nd of the group and I was the 2nd best scorer of the tournament. On the next weekend we played soooo badly and we lost to a team very inferior to ours.

Now we need to plan the company internal tournament… :)

Friday, March 28, 2008

Não estou no paraíso

1) Estou gostando muito da minha experiência aqui.
2) É impossível generalizar um país tão grande como a Índia.

Dito isso, posso continuar com o post...

Quem me conhece bem sabe que eu tenho uma visão muito positiva das coisas. Aqui na Índia tenho percebido muito isso: tenho a tendência a ver perceber as coisas sempre pelo seu melhor aspecto. Isso tem me ajudado bastante a me adaptar e a aceitar algumas diferenças culturais grotescas.

Depois de alguns posts, recebi vários emails e comentários de pessoas dizendo que adoram minhas histórias (brigado gente) e que estão passando a gostar muito da Índia. Este post não tem a intenção, de maneira alguma, de jogar um banho de água fria nos mais empolgados com a Índia, mas preciso dizer que “o buraco é mais embaixo”.

Então aí vão algumas dificuldades que, grandes ou pequenas, acabam mexendo com a gente no cotidiano:

Sujeira

A impressão que tenho é que o padrão de sujeira deles é bem diferente. Terra, poeira não é sujeira da mesma forma que é pra gente. Como a infra-estrutura das cidades é bem ruim, poeira é constante. Manter a casa limpinha, sem um grão de poeira, com as janelas abertas, é quase impossível. É engraçado que a gente leva um choque primeiro, com a sujeira, manchas de cuspes e lixo em todo canto. Agora quando vou num hotel 5 estrelas, estranho o quão limpos eles são.

Falando de lixo e poluição, é difícil achar alguém com consciência ambiental. Assim como a China, a Índia cresce rápido e sem pensar no impacto que está causando. Além disso, não há um sistema de tratamento de esgoto, coleta de lixo ou mesmo lixeiras suficientes nas ruas. Então é lixo pra todo lado, os canais e rios urbanos (e até o mar, no caso de Mumbai) são fétidos. Os poucos caminhões que colhem o lixo, estão caindo aos pedaços e vão espalhando lixo e aquele “suco” por onde passam. Fede muuito.

Serviço

A qualidade dos serviços em restaurantes, bares e lojas é de deixar qualquer um irritado. Em alguns lugares, você tem que implorar para ser atendido e rezar para seu pedido chegar certo. Ontem fui restaurante cubano com a Polly, lugar até chique. Ela queria comer arroz e escolheu um prato que acompanhava arroz. Veio purê de batata. Ela chamou o garçom e ele disse que não tinha mais arroz e ELES decidiram substituir pelo pure. Claro que ele só disse isso depois, por que falaria antes?

Além disso, a apresentação dos pratos, não é algo que parece importar muito. Ás vezes você vê a comida sendo servida de um balde e a aparência não é nada convidativa.

O pior é a flexibilidade. Se você quer mudar ou algo diferente, tem que negociar bastante. Hoje mesmo queria costurar uma mochila de algodão que estou usando sempre pra viajar. Fui em 3 lojas de costura diferentes. Os caras consertam calças, camisas, blazers, mas a mochila eles não quiseram nem olhar (era só dar alguns pontinhos na máquina).

Riquixas

Uma dificuldade tremenda é lidar com os Riquixás todos os dias. Às vezes eles simplesmente se negam a te levar em um determinado lugar. Outras, cobram um preço absurdo (O DOBRO, TRIPLO). Ou então decidem fazer um tour pela cidade, pegando caminhos desnecessários para que paguemos a mais. Ah, claro que eles só vão abastecer quando tem um cliente, seria desperdício ir até um posto de gasolina por conta própria, tem que ter alguém pagando por isso.

Agora imagina: você acorda as 7 da manha, toma um café, banho rápidos e sai ainda sonolento prum dia de trabalho. Aí você aborda o primeiro riquixá e diz aonde quer ir: ele fecha a cara, diz não e vai embora (ou te manda embora). Você continua andando, acha outro e ele te pede o dobro do preço. Você se irrita, diz q não e continua andando, até achar um que te leve e ligue o taxímetro. Você está com pressa (afinal perdeu tempo andando e negociando com os outros), mas ele pára pra abastecer e sempre tem uma fila gigante no posto de gasolina, lá se vão mais 10 minutos do seu dia. Eu já andei mais de 5km, puto porque não consegui um riquixa.

Alvo de exploração

Ser estrangeiro aqui é complicado algumas vezes. Você acaba com um constante receio de que será enganado, trapaceado, explorado. Esse sentimento constante pode estressar muito e minar o bem-estar.

Os preços para estrangeiros são sempre abusivos, é consenso geral: se você é estrangeiro, o preço é maior. Tudo bem que se você pensar, a rupia é super desvalorizada e as coisas são (às vezes) ridiculamente baratas. Mas é questão de princípio e eu não suporto ser passado pra trás, enganado. Isso me tira do sério. Sou capaz de brigar com um riquixá por causa de 5 rúpias que ele me deve de troco. NÃO PAGO EXTRA!

Outra coisa que irrita: ser abordado na rua o tempo todo! É ambulante, mendigo, falso “benzedor”, tudo! “Com licença senhor!” – “Por favor senhor!” – “Aqui senhor!” e te pegam, seguram pelo braço, ficam cutucando. Cansa, viu!?

Festas

Até uns 2 meses atrás, havia uma lei proibindo dançar em Bangalore. Claro que ninguém respeitava, mas tem cabimento??? UMA LEI!!! A lei que todos respeitam é um “toque de recolher” (igualmente ridículo) às 23:00. As festas acabam às 23:00 em ponto. A música para, as luzes se acendem e você é mandado embora, logo quando a festa começa a ficar “no ponto”.

Pra um Belo Horizontino, acostumado a sair de casa às 23:30, ficar na festa até umas 4 e ainda tomar uma saidera no Bolão ou no Chopp da Fábrica, é um choque incrível.

O pior é que as boates são todas iguais: 30 homens pra cada mulher (olha que nem to considerando a aparência da mulher como variável), dançando feito loucos, todos aglomerados. As músicas de sempre: R&B e Bollywood.

Transito

Não faz sentido. O trânsito é louco, alguns fatos:
- Transporte público quase não tem
- Não se usa retrovisor – mão na buzina o tempo todo
- As ruas não têm faixas definidas
- Regras só no papel (se é que têm)
- Alguns semáforos ficam fechados por 5 ou 10 MINUTOS!
- Motos são baratíssimas (a Índia é a maior produtora de motos do mundo)
- Os riquixás e ônibus soltam uma fumaceira inacreditável
- Motos sobem no passeio pra desviar do transito (sempre)
- Choveu vira lama
Pra ajudar a mão é inglesa (sentido contrário) e a Tata Motors acaba de lançar o carro mais barato do mundo aqui na Índia, vai ficar beleza!

Respeito à mulher

As mulheres sofrem bastante com os assédios (principalmente as estrangeiras). As meninas me dizem que não saem de casa sem um MP3 Player no ouvido, porque não querem escutar o que eles dizem ou os sons que fazem quando elas passam.

Eu fico irritado, pois quando ando com minhas amigas, estão sempre comendo elas com os olhos. Faço questão de mostrar pro cara que eu to vendo, olho no fundo dos olhos dele – de uma maneira não amigável.

Soube de algo que me abalou e me deixou profundamente revoltado, vou contar a história: um casal de amigos meus aqui (brasileiros) estão tendo um filho. Com muito custo, conseguiram descobrir o sexo da criança (é menino!!). Custo, porque é proibido saber o sexo. É proibido porque quando os pais descobrem que é menina, abortam. Além disso, quando a menina nasce, não é tão bem cuidada (pra ser ameno) quanto os meninos.

Disseram a este casal que se fosse menina, não precisavam cuidar. “Meninas não precisam de cuidados, se criam sozinhas. São capazes de gerar outra vida, então conseguem se virar sozinhas. Os meninos é que tem que ser bem tratados.” PQP, né?

Bom, este post já está ficando grandinho (pra variar), então vou ficando por aqui. Mas não posso terminar antes de escrever que estar na Índia e viver este país é uma montanha-russa de emoções e sentimentos. É aprender a respeitar. É ver o mundo de outra forma – de verdade. É se conhecer melhor. É valorizar muito mais o que você deixou pra trás.

É um país incrível – seja o qual for sentido que queira dar a esta frase. E pra viver aqui, é preciso estar aberto a aceitar coisas que não fazem sentido pra você, rir das desgraças, relevar. Continuo agradecendo por estar aqui.





Cena comum - ponto de lixo

Falso mago querendo dinheiro


Boate





Trânsito

Assédio na rua

(English Version)

I’m not in a paradise

1) I’m enjoying my experience here.
2) It’s impossible to generalize a country as big as India.

Having that said I can continue with this post…

Who knows me well is aware that I have a very positive approach over things. Here in India I can perceive that: I tend to perceive things always by its best aspect. This has been quite helpful for my adaptation and to accept some bizarre cultural differences.

After some posts written I received many emails and comments of people saying that they love my stories (thanks guys) and that they are becoming to really like India. This post doesn’t have the objective – not at all – to extinguish the mood of those most excited about India; but I have to say that the rabbit hole is deeper.

So, here it goes some difficulties that – big or small – somehow get in our nerves on daily basis:

Waste

The impression I have is that their neatness standard is different. Dust is not dirt as it is for the Western world. As the cities infrastructure is very bad; dust is constant. To keep the house completely clean, without a grain of dust and with the windows opened is barely impossible. It’s funny that at first sight we experience a shock because of the dirty, spiting spots and garbage everywhere. Now is when I go to a 5 star Hotel that I get surprised about how clean the environment is.

Talking about garbage and pollution; it’s quite hard to find someone environmentally conscious. Similar to China, India is also growing very fast and without giving enough thoughts (and/or action) on the impact they’re causing. Besides, there is no sewage system or treatment, garbage collection system or even trash cans enough on the streets. Then we have garbage everywhere; the canals and urban rivers (and even the see, in Mumbai) are stinky. The few trucks that collect the garbage on the streets are falling apart and spread the garbage and that “juice” wherever they go. Stinks so badly!

Services

The quality of services at restaurants, pubs and stores is able to get anyone pissed off. In some places you have to almost beg to be served and pray to have what you really ordered. Yesterday I went to a Cuban restaurant with Polly – fancy place. She wanted to eat something with rice and ordered a dish that accompanied rice; but she got mashed potatoes. She called the waiter and he said that they didn’t had rice and THEY decided to change for mashed potatoes. Of course that he said that only after she received the dish – why to ask her opinion before?

Besides that, the way the dishes are presented is not important here. Sometimes you see the food being served from a bucket and the appearance is not invocative at all.

The worse is the lack of flexibility. If you want to change something or something different you have to struggle and negotiate to get it. Today itself, I wanted to fix a cotton backpack that I’m using often to travel – it just needs some stitches. I went to 3 different places. They fix pants, coats, shirts, blazers, but my backpack they can’t.

Rikishaws

One big challenge is to deal with auto-rikishaws everydays. Sometimes they just say deny to take you somewhere. Other times the charge absurd prices (twice or three times the right price). They usually also give you a city-tour; taking unnecessary ways to make we pay more. Oh, and of course they just go to the gas station if they have a passenger – it would be a waste to go to the gas station by their own, they need someone paying for that de-tour.

Now picture this: you wake up at 7 AM, take a quick breakfast and a shower and go to the street still sleepy. Then you approach the first rikishaw and says where you want to go: he gives you an angry face, says NO and goes away (or send you away). You keep walking and find another one: the guy asks you the double of the price. You get angry, says NO and keep walking until a good soul takes you where you want and uses the meter. At this time you are already late (you lost time negotiating with rikishaws along the way) but the guy stop in a gas station to get fuel and there’s always a big cue. One time I walked for 5 km, pissed off because I didn’t got a rikishaw.

Exploration target

To be a foreigner here is complicated sometimes. You get a constant concern of being cheated or explored. This constant feeling can stress a lot and drain the well being.

The prices to foreigners are always abusive. It’s common sense: if you are a foreigner the price is higher. You can think that the rupee is a weak currency and thing are (sometimes) incredibly cheap. For me is not the price but the principle: I don’t like to be cheated; this makes me lose my mind. I’m able to fight with a rikishaw because of 5 rupees that he is supposed to give me as change. I DON’T PAY EXTRA!

Another annoying thing is to be approached all the time. Is the street salesman, the fake guru, begging people, etc. “Excuse me sir!” – “Please sir” – “Here sir” – and they hold you on the arm, keep poking… I get tired, you know?

Parties

A couple of months back there was a law prohibiting people to dance in Bangalore. Of course no one obey this law; but can you imagine?? A LAW!!! One law that everyone obey is a “curfew” at 23:00. The parties are over at 23:00 sharp. The music stops, the lights are turned on and you are asked to leave – right when the party is starting to get hot.

For a guy from Belo Horizonte, used to go to parties at 23:30, stay at the party until 4am and drink the last beer at Bolao or Chopp da Fabrica – it’s quite a shock.

The worse thing is that all the clubs are the same: 30 man for each woman (I’m not even considering the women looks as variable in this equation), dancing like crazy, all trying to fit in a small dance floor. The music is always the same also: R&B, Electronic and Bollywood.

Traffic

It makes no sense. The traffic is crazy; some facts:
Public transportation almost doesn’t exist
Mirrors are not used – they prefer to “sound horn” all the time
The roads tracks are not defined
Rules, only in the book – if there’s any rule
Some traffic lights stay closed for 5 or 10 MINUTES!!!
Bikes are extremely cheap – India is the biggest bike producer of the world
The rikishaws and buses blow an unbelievable smoke of pollution
Bikes are often on the sidewalk to avoid traffic
If it rains the roads are turn into mud
To support the mess: they follow British direction

Respect to Women

Women suffer to much if harassments – even worse for the foreigners. They girls told me that they don’t take a walk without an MP3 Player to avoid listening to the phrases and/or noises mans direct to them when they pass by.

I get irritated because when I’m walking with friends (girls) the Indian guys are always undressing them with the eyes. I make sure to show to them that I’m seeing it – I keep looking at their eyes with an angry face.

I heard something that got into my nerves; I’ll tell you the story. A Brazilian couple friends of mine are having a baby. After a lot of efforts they managed to find out the gender of the baby (it’s a boy!!). Lots of efforts because it is forbidden to know the gender before the baby is born. It is forbidden because if the parents find out that is a girl; they force abortion. Besides, when the girl is borne she doesn’t receive the same care (to be easy with the words) that the boys.

This couple was told that if it is a girl they don’t need to take care of the baby. “Girls don’t need caring, they can raise themselves. They are able to generate another life, so they manage to survive. Boys are the ones who deserve well care.” What a F.!!!

Well, the post is getting too big (again), so I’ll stop here. But I can’t finish it before writing that being in India and living in this country is an emotion roller-coaster. It is learning to respect. It is seeing the world in a different way – really. It is getting to know yourself better. It is to value much more whatever you left behind.

It is an incredible country – whatever is the meaning of this statement. And to live here is needed to be open to accept things that make no sense to you; laugh of the disasters, let it be. I’m still giving thanks to be here.

Wednesday, March 19, 2008

25 Anos & Hampi


Fui até a MG Road para encontrar a gangue: Rafa, Polly e os portugas José e Jaime – nós iríamos a Hampi naquela noite. Eles estavam num restaurante no alto de um prédio, tipo o “Terraço Itália” de Bangalore.

Como de praxe, saímos atrasados do restaurante para pegar nosso trem. Fomos desesperados atrás de um riquixá. O primeiro pediu 200 rupias para nos levar – nunca! Aí um pouco a frente achei um stand de riquixá pré-pago, conseguimos o preço certo: 50 rupias.

Tínhamos apenas 30 minutos para pegar o trem, então o engarrafamento foi bem emocionante. Felizmente chegamos à estação a tempo de procurar nossa plataforma. Depois de andar um pouquinho por uma passagem subterrânea, encontramos nosso trem: Hampi Express.

Na porta de cada vagão tinha uma lista com o nome dos passageiros e seus assentos. “Pollyana: 54”. “Anandara: 56” – Anandara sou eu. Esse bateu recorde de errar meu nome.

Nossa classe era “Sleeper” – Dormitório. Eu já tinha tido a experiência com o ônibus pra Pushkar, então logo que entrei subi para meu colchão e coloquei a mochila de travesseiro. Enquanto a Polly reclamava desesperada com as condições do trem. O trem começou a viagem e pra minha surpresa era relativamente silencioso e macio – relativamente. Esse era o início da celebração dos meus 25 anos em Hampi.

De repente, acordei com 25 anos. Olhei em volta, eram 4:35 da madrugada. Eu estava com medo de perdemos a estação de Hospet, a mais próxima de Hampi e não consegui dormir mais. Por fim, descobri que estávamos a 2 estações de nosso destino. Então eu e Poly fomos encontrar o resto do pessoal no outro vagão.

O Sol estava nascendo e mostrando uma terra vermelha: lembrei na hora do caminho a Ouro Preto, Itabirito e a vermelhidão do minério de ferro. O trem chegou a Hospet e fomos com 2 riquixás para Hampi. No caminho, começamos a ver o que nos esperava: dezenas de templos e ruínas se fundindo com a paisagem.

Quando chegamos lá, parecia que tínhamos voltado no tempo: os carros, as roupas, a aparência, tudo de 40 anos atrás... O primeiro objetivo era encontrar uma pousada. Depois de muitos gritos das garotas por causa das condições precária dos banheiros de algumas pousadas, encontramos uma bem jeitosa, com vista para o rio e para o principal templo.

A cidade é dividida pelo rio Tungabhadra. De um lado é sacro: não tem bebida alcoólica, nenhum tipo de carne... Do outro, é festa! Bebida, carne, frango e tudo mais. Sai Plaza era o nome da nossa pousada. Um lugarzinho relax, perfeito para as centenas de bixo-grilo que vão pra Hampi.

O pessoal cantou parabéns pra mim, versão brasileira e portuguesa. Comemos um longo e reforçado café da manhã com ovos, batatas e pão. Depois, iniciamos nossa jornada nas dezenas de templos.

No primeiro, pegamos um guia que tentou nos explicar toda a história do templo Virupaksha. Tentou, porque tinha barulho e conseguíamos entender só 20% do inglês do cara. Mas eu gostei bastante. Eu tinha lido sobre a história da Índia antes de vir pra cá e Hampi foi antigamente a capital do grande império Indiano (Vijayanagara), até o Império Mongol tomar conta de quase tudo, destruir e saquear a Índia.

Com este guia, comecei a entender melhor a multiplicidade de deuses da religião hindu. Este templo era em homenagem à terceira “encarnação” (eles chamam avatares) de Vishnu, como um javali. Se não me engano, ele tem 10 avateres – 9 já vieram ao mundo e tem ainda uma outra por vir.

No templo tinha também uma elefanta graciosa, tratada como deusa. Todos as terças ela se banha no rio e dá benção aos hindus. Fizemos carinho nela, mas não pudemos tirar nenhuma foto deste templo.

No complexo deste templo tinham construções do século VII e algumas outras mais recentes, do século XVI. A arquitetura é muito inteligente, fazendo uso até de câmaras escuras que refletem a sombra do horizonte – o mesmo conceito das máquinas fotográficas. Achamos no meio de milhares de esculturas entalhadas nas paredes, uma orgia.

Claro que perguntamos pro guia, que nos explicou que era uma escultura Kama Sutra em sinal de afeto ao templo. Perguntamos também se aquilo era praticado ali, ele riu e disse que antigamente sim, agora não.

Passeamos um pouquinho por Hampi Bazar – tipo o centro da cidade. Aí sempre tem a galera querendo grana de turista. Inclusive um encantador de serpente que tentou nos arrancar um trocado – mas as pobre coitadas das cobras estavam tão drogadas que nem se mexiam e se não fossem as flautadas do moço de turbante, acho que dormiam.

Negociamos com um carinha e combinamos um preço para que 2 riquixás nos levassem a uma rota de templos durante todo o dia. Seguimos adiante em nossa jornada, fazia um calor escaldante. Fomos a algumas ruínas, tiramos várias fotos.

Depois seguimos para onde era o mercado da cidade. As ruínas eram muito legais e levavam a uma piscina central. Tirei várias fotos e fiquei imaginando como seria aquele lugar a mil anos atrás, cheio de gente. Depois passamos rapidinho num lugar onde duas pedras gigantes estão escoradas uma na outra.

A paisagem de Hampi é muito estranha. São milhões de pedras gigantes postas uma sobre a outra. A impressão que dá é que alguém colocou aquelas pedras ali, uma a uma. Dá pra ver que a região é antiga pra caramba e que a erosão já comeu quase tudo.

A próxima parada foi num complexo que incluía o Lótus Mahal, o estábulo dos elefantes e outras ruínas. Muito bonito e bem cuidado o lugar. Indianos pagam 5 rupias pra entrar, extrangeiros pagam 250. Discriminação a parte, entramos no templo (menos a Polly) e aproveitamos para deitar na grama e fazer estripulias.

O mesmo ingresso deste lugar, dava direito a entrar no nosso último destino do dia, o Templo Vittala e o Carro de Pedra. O engraçado é que em cada templo gigante que a gente entrava, a gente pensava como seria legal organizar uma festa ali.

Neste último era dedicado a festas mesmo, acabei descobrindo ao berosar (aproveitar) a explicação que um guia fazia a outro grupo. Inclusive, no centro do templo tem um salão com instrumentos musicais entalhados nas colunas. E se você bate na coluna, ela emite o som daquele instrumento musical.

Encerramos a jornada turística mortos de fome, de cansaço e depois de muito Sol. Fomos almoçar num restaurante chamado “Mango Tree” (Mangueira). Fica na beira do rio (lado sagrado) e as mesas ficam embaixo de uma mangueira gigante. A comida vegetariana era beem boa, eu gostei muito.

Eu e a Rafa voltamos para o Hotel e ficamos bebendo merecidas cervejinhas, enquanto o resto do pessoal quis ficar no rio pra ver o pôr-do-sol. A noite um monte de gente foi ao restaurante da pousada e ficamos lá vendo uns filmezinhos, comendo e eu tomando cerveja. Assim foi meu aniversário.

No Domingo, acordamos tarde, tomamos novamente o big café da manhã e combinamos de não fazer outra maratona de templos. Saímos andando para conhecer o resto da cidadezinha e um outro gringo nos disse de um lago, que havia ali perto e onde dava pra nadar.

Pensamos: nesse calor, achar água limpa, na Índia!? É ver pra crer! Negociamos até que um riquixá aceitou nos levar até o lago, esperar algumas horinhas e depois nos levar até o Templo dos Macacos, parada obrigatória em Hampi.

O lago era uma represa do rio Tungabhadra, no alto de uma montanha. Mas que delícia! Uma vista bem legal, e a água era mesmo limpa e muito boa de nadar. Fomos até um ponto que era melhor para nadar, estava cheio de estrangeiros.

Eu não poderia nadar, porque tinha machucado o joelho e não podia molhar. Não resisti, pulei de ponta, fiz cambalhota, pirueta, foi bom demais. A ferida no joelho abriu toda, mas valeu à pena.

Depois seguimos ao templo dos macacos. Ao chegar, avistamos o templo lááá no alto e uma escadaria gigante a nos convidar. Começamos a subida, desde o princípio acompanhados de vários macaquinhos e macacões. Além de termos que parar por causa do cansaço, a vista era maravilhosa e valia a pena ficar observando. Lembrei até da Lapinha da Serra, um dos meus locais favoritos no Brasil.

Numa dessas paradas, um macaco começou a seguir a Rafa querendo a garrafa d’agua. Isso se transformou numa briga. Imagina a cena: um macaquinho em pé, na beira de um precipício, a uns 600 metros de altura, no templo dos macacos, enquanto nossa amiga tentava dar uma garrafada nele. Gritamos desesperados: “Não Rafa, não mata o Macaco!”

Imagina o Karma dessa menina se ela mata um ser sagrado em seu templo! Depois que o macaquinho fugiu, rimos até da cena. Mas na hora deu medo!

Finalmente chegamos no topo. Que lindo! Uma vista de 360 graus de toda a região de Hampi. Os templos que vimos no dia anterior, pequenininhos lá embaixo. Eu aproveitei pra me afastar do pessoal, me sentei na beira da montanha e comecei a refletir nos meus 25 anos, na loucura que era estar ali, e agradeci.

Descemos o morro, dessa vez em paz com os macacos. Pegamos o riquixá de volta a pousada. Pegamos nossas coisas e fomos tentar almoçar numa outra pousada ao lado. Tentar, porque o almoço demorou tanto que não agüentamos esperar; iríamos perder o ultimo barquinho para atravessar o rio e o nosso trem. Pagamos as bebidas que tínhamos consumido e saímos correndo.

Comemos qualquer coisa do outro lado do rio e de novo saímos apressados para não perder o trem de volta. Chegamos com tempo, pegamos o trem, dormimos a viagem toda e voltamos à vidinha cotidiana em Bangalore.

Desculpa pelo post gigante, mas foi uma viagem especial.



O Trem
Companheiros de viagem

Acordar com 25

Primeira vista do Rio

Cafe da manha

Entrada do Virupaksha

Virupaksha

Hampi - Coleção Primavera-Verão

"Encantador" de serpentes

Monolito

Estátua Ganesh

Obelix

Dia quente

Hampi

Antigo mercado

Gangue

O pessoal tá lá no meio.

Garotada

Yoga ou capoeira?

Carruagem de Pedra

Eu nunca... trepei numa árvore sagrada de mil anos!

Mango Tree

Na pousada

Meus fãs

Na represa (o chapeu é a Rafa).

Até parece...

Novo amigo

Paisagem

Companheiro de subida

Macaquinho e a garrafa

Vista: verde de um lado, seco do outro.

...

Vista do templo

Nunca viu não?